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A visão Osteopática da dor lombar

28 Jul 2023

A dor lombar é uma dor localizada na região baixa da coluna vertebral e é sem dúvida uma das queixas mais comuns em diferentes pessoas, em todo o Mundo. Compreender e abordar esta condição exige uma análise abrangente e multifatorial, considerando diversos fatores como sociais, psicológicos, genéticos e outros aspetos físicos que podem contribuir para o desenvolvimento e persistência desta dor.

É essencial reconhecer que a dor lombar não é simplesmente uma manifestação física isolada, mas sim um fenómeno complexo e multifatorial. E por isso mesmo o osteopata tem uma atenção especial para toda a história da pessoa e realiza uma avaliação e intervenção personalizadas de acorda com as necessidades de cada paciente.

A dor lombar pode manifestar-se de forma aguda ou crónica, esta última quando persiste por mais de 3 meses, e é comumente conhecida como lombalgia. Muitas vezes a origem da lombalgia não é aparente e pode surgir de diferentes causas devido à complexidade da região lombar, que envolve não apenas os musculos, mas também outras estruturas como as vísceras, articulações, ligamentos e nervos.

Devido à sua função de sustentação do peso corporal e à tendência de acumular tensões, a região lombar pode ser suscetível ao acúmulo de tensão devido a fatores físicos, como postura inadequada e atividades que envolvem sobrecarga. Os fatores emocionais e de stresse também podem desempenhar um papel importante no surgimento da dor lombar, já que a região pode se tornar um ponto de acumulação de tensões relacionadas a esses aspectos.

Ao avaliar um paciente com dor lombar, o osteopata adota uma abordagem integrada, considerando não apenas a área dolorida. Nesta avaliação é fundamental  analisar e avaliar a mobilidade das vísceras.

A osteopatia visceral é uma abordagem terapêutica que se concentra na avaliação e tratamento da mobilidade das vísceras por meio de técnicas manuais suaves. Essas técnicas visam restaurar o equilíbrio e a harmonia das vísceras, garantindo o bom funcionamento e a integração com os tecidos circundantes.

Vários estudos concluem que o tratamento osteopático é bastante eficaz em casos de dor lombar. Em resultado, o tratamento inibe a dor, reduz os espasmos musculares e ativa o sistema nervoso simpático. O tratamento específico visceral resulta na melhoria da circulação sanguínea em todo o corpo e na eliminação de fluidos corporais congestionados.

Muitas vezes a dor lombar pode ser de origem visceral e não só devido a casos de hérnias nos discos intervertebrais ou simplesmente muscular. Dos vários músculos inseridos na coluna lombar temos dois grandes e importantes músculos que são; o diafragma, o músculo principal da respiração, e o músculo iliopsoas, em que as suas fibras emergem igualmente da região lombar. Portanto qualquer disfunção nestes músculos irá afetar a coluna lombar.

Os rins encontram se também ao nível da região lombar. Num estudo feito em Itália, foram analisados 101 pacientes sem dor lombar e 140 com dor lombar, sem problemas renais. Foi realizado um exame de ultrassom aos rins antes e depois do tratamento. Os resultados demonstraram que os pacientes que apresentavam dor lombar têm uma mobilidade renal diminuída. Sendo concluído que o tratamento osteopático mostrou se como uma terapia manual bastante eficaz para o aumento da mobilidade renal e redução da dor em pessoas com dor lombar.

Pela lógica em que o nosso corpo se conecta, na prática clínica a avaliação da mobilidade da bexiga e do útero revela que, um mau funcionamento da bexiga ou mobilidade do útero podem afetar a zona pélvica como também a região lombar. Ao que pessoas com dores menstruais podem ter lombalgias recorrentes.

Outras estruturas importantes são os nossos intestinos, intestino grosso e intestino delgado.

Devido às ligações que o corpo tem com membranas que revestem estas estruturas e o facto de haver uma acumulação de fezes e o paciente sofrer de obstipação intestinal pode criar uma pressão interna no abdómen pressionando a coluna lombar e causar dor.

No geral, o nosso corpo está todo interligado, por isso devemos tirar tempo para o “ouvir”.

Praticar a nossa respiração, ao fazer técnicas de respiração que podem ajudar a atenuar a dor lombar, tal como rotinas saudáveis que são imprescindíveis como, dormir as horas essenciais para um bom descanso, praticar atividade física, meditar, e uma boa alimentação. Evitar o sedentarismo, stress, dormir poucas horas, ansiedade e o medo de se mexer.

Em suma, na ausência de causas médicas que expliquem a sintomatologia ou em exames de imagem médica sem causa sintomatológica é sensato recorrer a área de osteopatia para que seja feita uma avaliação minuciosa de forma a encontrar a causa da dor para que esta seja atenuada e assim possamos chegar à cura e não ao “tapar” de sintomas.

Miriam Recto
Osteopata
C-0032327 | ACSS