Grande entrevista aos dois fundadores Tiago Caseiro e Tiago Malta

No lançamento da marca SAN – Saúde Integrativa, o jornal “O Sambrasense” publicou na edição Nº425 de 20 de Março, uma grande entrevista aos dois fundadores Tiago Caseiro e Tiago Malta.

  • Após 11 anos de funcionamento a Fisio S.Brás muda de nome e de conceito? Qual é a diferença comparativamente com o antigo projeto?

É verdade! Para quem não conheça a equipa, a nossa abordagem profissional e a nossa filosofia de trabalho ao longo destes 11 anos, a mudança pode parecer muito drástica e suscitar algumas questões. Na verdade, esta reestruturação não foi propriamente uma mudança, mas o culminar de uma transformação que foi acontecendo ao longo dos 11 anos de Fisio S. Brás.

Para uma pessoa que já nos conheça, as diferenças que vai sentir no que toca à nossa abordagem e forma de trabalhar não vão ser muitas. Esta visão da Saúde Integrativa apesar de ter sido criada por nós e assumida oficialmente no dia no nosso 11º aniversário, foi sendo desenvolvida e aplicada ao longo de mais de uma década.

  • E em que consiste concretamente este conceito da Saúde Integrativa?

Saúde Integrativa é um conceito abrangente que supera em larga medida uma visão de saúde ou um método de trabalho.

  • Saúde Integrativa é uma forma de estar na vida e no mundo, transportada para a saúde. As razões que nos levaram a integrar esta visão nas nossas vidas pessoais e profissionais foram essencialmente duas:
  • A primeira prende-se com o facto de não nos identificar-mos com o modelo de saúde que rege a nossa sociedade. As doenças crónicas afetam uma percentagem enorme da população. Sabe-se que grande parte das causas de morte se devem a doenças provocadas por um estilo de vida inadequado. Esta conjuntura poderia ser alterada se as práticas de saúde das nossas populações fossem diferentes.
  • A segunda, assenta numa sensação transversal à equipa de que era necessário ir mais longe… as ferramentas de intervenção e a abordagem clássica não eram suficientes para resolver problemas a muitos dos nossos doentes o que foi causando na equipa uma vontade e uma reação de busca por algo mais. Na verdade, foram os nossos doentes que indiretamente nos empurraram mais um caminho de muita formação, principalmente fora de Portugal e muito, muito estudo.
    Os frutos que temos colhido são extraordinários e gratificantes. Temos vindo a criar o nosso próprio método de trabalho, que tem como base um conceito muito simples:
    Sintoma é diferente de causa. A titulo de exemplo, uma dor nas costas pode ter origem numa disfunção intestinal ou postural, uma dor de cabeça vir de uma desregulação hormonal ou intolerância alimentar e excesso de peso justificado por um quadro de stress crónico. O que a abordagem clássica de saúde faz é silenciar sintomas, a grande maioria das vezes com recurso intensivo a medicação.

Saúde Integrativa assenta na procura da causa real do problema ou da doença. A resolução completa.

Para isso, tivemos de desprogramar muita da visão que nos é passada nas nossas formações académicas base e reaprender a trabalhar em equipa. É esta a essência do trabalho. Uma visão diferente do ser humano que conjuga todas as dimensões – nutrição, emoções, atividade física, sono, componente social – no sentido de perceber a origem do problema e ter uma equipa a trabalhar para ajudar e guiar o doente até um estado de saúde e bem-estar.

  • Quais os principais motivos que estão por detrás da alteração do nome?

O nome surge também n consequência lógica da evolução. Dizemos a brincar que há muitos anos não somos só Fisio nem só S. Brás. O nome já não nos definia completamente.

O SAN surge pela criatividade de um amigo (o Mauro, um criativo) que nos tem apoiado neste processo. SAN é a essência da palavra Sanitate, do latim. A origem da palavra saúde. Como a chave da nossa visão é ela mesma a busca pelas origens, fez muito sentido para nós.

  • Que aspetos consideram mais importante no tratamento dos utentes?

Respeito pela vontade do próprio doente. Todos os dias somos procurados por muita gente, que tem algum tipo de sofrimento – físico ou psíquico. Nesta abordagem, há circunstâncias em que são requeridas mudanças na vida de algumas pessoas que podem ainda não estar preparadas para colocar em prática. O respeito pela vontade e timming do doente é algo que valorizamos muito. Tratamos toda a gente com o mesmo profissionalismo e principalmente com o mesmo carinho. E os doentes sentem isso. As relações que se criam na SAN superam em muito a relação profissional – doente. Podemos dizer que já fizemos muitos amigos na clínica.

  • Como tem sido a gestão da clínica em tempos de pandemia?

Não muito fácil, mas poucas serão as empresas do país que podem dizer ter passado por esta fase sem consequências… provavelmente só mesmo as que vendem álcool e máscaras.

Mas na verdade conseguimos redefinir muita coisa. Lançámos alguns serviços online, aproveitámos o abrandar do tempo para acelerar alguns projetos e para nos reorganizarmos internamente.

No que toca aos doentes, não foi fácil, principalmente no primeiro confinamento negar tratamento a algumas pessoas. Éramos contactados constantemente por doentes, que por telefone, online ou em domicílio fomos conseguindo apoiar. Após a reabertura aplicámos um protocolo de segurança mais completo que as normas exigidas, que nos fez passar este ano sem nunca termos tido nenhum problema. Mérito para a colega Sofia Madureira que idealizou e controlou o processo e que fez com que os nossos doentes sempre sentissem a máxima confiança em vir fazer tratamentos connosco.

  • Quais as expectativas para os próximos 10 anos?

Não temos dúvidas de que este será um início de um modelo de saúde que vai ser integrado na sociedade a médio / longo prazo.

A nossa previsão é a de que em 2 ou 3 anos sejamos referências de saúde integrativa em toda a zona sul e a de que faremos de S. Brás, que já era famoso pelo CMR Sul, um centro de referência da saúde em Portugal.

Somos agentes ativos na mudança do paradigma da saúde e para isso temos contemplados também projetos no campo da educação. São as crianças de hoje que vão mudar o paradigma de amanhã. É nelas que estão as nossas esperanças e onde vamos colocar o nosso foco.

No fundo é a nossa missão, ajudar os filhos, crianças e jovens a construir uma sociedade e um mundo melhor, onde eles próprios possam viver em paz, em alegria e com muito mais saúde.

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