O Paradoxo da sociedade doente

Vivemos uma era de abundância.

Abundam os alimentos e os bens de 1ª, 2ª e 3ª necessidade. Abunda a “informação” que sorrateiramente foi assumindo um pedestal que até há pouco tempo era assumido pelo “conhecimento”.

Abundam as distrações rotuladas de anti-stress numa sociedade stressada por viver alheada e “distraída” de si própria.

O paradoxo do séc. XXI é seguramente um dos maiores desafios da nossa existência enquanto espécie.

Na verdade, nunca a nossa civilização teve acesso a alimentos, água potável, educação, segurança, abrigo e cuidados básicos de saúde, como nos dias de hoje. O risco de o vizinho do outro lado da rua me esfaquear porque estava mal disposto é ínfimo e os direitos humanos, finalmente, são chave da nossa vida em sociedade.

Dirão os cépticos que continuam a existir necessidades básicas em muitos locais do planeta… saltarão à vista regiões como a Índia, África Subsariana ou algumas zonas da América Latina. Naturalmente, com razão. Mas o facto, é que a frieza dos números mente pouco, e comparativamente ao séc. passado ou a fases anteriores da história, a proporção de seres humanos a morrer de doenças evitáveis, de fome, de desidratação e de violência, foi sempre dramaticamente maior que nos dias de hoje.

Coloquemos o foco no ocidente.

Uma sociedade bem maquilhada, com a falsa sensação de liberdade e livre-arbítrio. Enchemo-nos de informação que cremos ser relevante nas nossas decisões, votamos em quem nos lidera e optamos por aquilo que cremos ser melhor para a nossa saúde e dos nossos filhos. Parece que finalmente atingimos o estatuto de sociedade perfeita.

Só que mais uma vez chegam os mal-afortunados números para fazer desmoronar este castelo de cartas em que vivemos.

As mortes por fome deram lugar às mortes por sobrenutrição. A morte por doenças agudas e infecciosas deu lugar a morte por doença crónica e incapacitante.

As populações alegres e necessitadas materialmente, deram lugar a populações consumidoras e acumuladoras, com carências afetivas e emocionais profundas.

Os números de doenças de estilo de vida representam METADE de todas as mortes em Portugal – cancro e doenças cardiovasculares. O stress assume o protagonismo de ser uma das principais causas de doença e morte dos dias de hoje. Estar ansioso, triste e deprimido é o estado normal de uma fatia catastróficamente grande da população. Em que se incluem as nossas crianças… Nunca os números de depressão infantil foram tão altos e nunca na nossa história ser uma criança obesa foi tão comum e tão naturalmente aceite.

Sofrer de diabetes, dislipidemias e doenças-autoimunes são “azares” que tocam a porta de quase todas as famílias.

E há responsáveis por isto? Claro. Somos todos responsáveis. Uns porque sabem e não fazem nada, outros porque estão demasiado ocupados no “scroll down” da sua “rede” preferida.

A verdade é dura mas motivante. O estado em que nos encontramos é responsabilidade nossa mas temos também o poder de, por nós próprios, inverter esta realidade.

A consciencialização das populações, sobretudo das novas gerações, para um novo contexto de saúde e felicidade depende das mudanças, pequenas ou grandes, que comecemos a fazer hoje.

Trocar processados por comida de verdade, desconectar das redes sociais e conectar com os amigos ou tirar o filho da frente da televisão e oferecer-lhe o contacto com a natureza. Saber que o seu problema de saúde tem uma causa que requer uma mudança na sua vida, sem se render a medicamentos camufladores da verdade.

Querer mudança, pedir mudança e ser a mudança.

Fechar o jornal trágico e abrir o livro. Trocar a informação destrutiva pelo conhecimento construtivo.

Somos aquilo de que nos alimentamos – física, mental e espiritualmente. Tomemos então boas decisões. Que podem ser pequeninas, mas que todas somadas nos vão fazer dar um passo para mais longe deste mundo. Um mundo em que temos tudo, mas ainda assim, vivemos tristes.

Tiago Malta

Saúde Integrativa

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